O Papa Leão XIV manifestou decididamente a continuidade de implementação do Sínodo como caminho da Igreja, e acionou a Secretaria Geral do Sínodo para indicar pistas concretas neste sentido.

A forma sinodal da Igreja está a serviço da sua missão, e tornará a Igreja sempre mais capaz de anunciar o Reino e testemunhar o Evangelho do Senhor aos homens e mulheres do nosso tempo. As palavra do Papa Leão na primeira saudação e bênção indicam claramente este caminho: somos “uma Igreja missionária, uma Igreja que constrói pontes, que constrói o diálogo, sempre aberta para acolher a todos, como esta Praça, de braços abertos, a todos aqueles que precisam da nossa caridade, da nossa presença, de diálogo e de amor”.

Nesse sentido, a Secretaria do Sínodo apresentou no final de junho pistas para esta caminhada conjunta de toda a Igreja. O subsídio propõe um calendário de implementação nas Igrejas locais e nos seus agrupamentos, de junho de 2025 a dezembro de 2026. Para o primeiro semestre de 2027 deverão ser realizadas Assembleias de avaliação nas Dioceses e Eparquias. No segundo semestre de 2027, Assembleias de avaliação nas Conferências episcopais nacionais e internacionais. No primeiro quadrimestre de 2028, Assembleias continentais de avaliação. Em outubro de 2028 será realizada a Assembleia Eclesial no Vaticano.

 Assim é definido o objetivo da fase de implementação: “experimentar práticas e estruturas renovadas, que tornem a vida da Igreja cada vez mais sinodal, partindo da perspectiva global delineada pelo documento final, com vista a um desempenho mais eficaz da missão evangelizadora. Este trabalho inclui o necessário aprofundamento teológico e canônico e, sobretudo, um compromisso para discernir o que é mais apropriado e potencialmente mais fecundo nos diferentes contextos locais”.

Mais do que promover novas iniciativas, “cada Igreja local, cada comunidade paroquial poderá praticar a sinodalidade dentro da sua própria pastoral ordinária, melhorando o modo como realiza a própria missão através do discernimento eclesial que o Espírito Santo nos exige hoje. O documento final convida as Igrejas locais a identificarem também “percursos formativos para realizar uma conversão sinodal palpável nas várias realidades eclesiais” (DF, 9). Com base nas inspirações do documento final, espera-se crescimento no processo de diálogo em cada Igreja e entre as Igrejas.

Algo novo é proposto, sim, nesse processo. Para que não se pense que a conversão para a sinodalidade seja fruto apenas de dinâmicas e treinamentos, indica-se o caminho experimentado no Sínodo, que é a “conversação no Espírito, escutando-nos uns aos outros, apercebemo-nos da sua presença no meio de nós: a presença d'Aquele que, ao conceder o Espírito Santo, continua a suscitar no seu Povo uma unidade que é harmonia das diferenças” (DF, 1).

O documento final (DF) é o ponto de referência do caminho sinodal. No final do Sínodo o Papa Francisco destacou duas considerações importantes sobre o documento final. A primeira é que faz parte do magistério ordinário do Sucessor de Pedro, e, como tal, deve ser aceito por todos. A segunda é que a conclusão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos “não põe fim ao processo sinodal”, pois “a sinodalidade é a estrutura interpretativa apropriada para entender o ministério hierárquico”, dentro da comunhão eclesial que envolve todos os fiéis e compromete todo o Povo de Deus.

As Assembleias paroquiais e diocesana deste ano estão direcionadas nesta linha, em continuidade ao Plano Diocesano de Evangelização, vivenciado agora com novo impulso do espírito sinodal.

Como lembra o instrumento de implementação proposto pela Secretaria Geral do Sínodo: “A leitura do documento final deve ser apoiada e alimentada pela oração, tanto comunitária quanto pessoal, centrada em Cristo, mestre da escuta e do diálogo (cf. DF, 51) e aberta à ação do Espírito”.