No mês de agosto damos atenção especial às vocações. À luz do Sínodo, recordamos duas dimensões da vocação: a vocação para o ser e a vocação para a missão.
De fato, Deus nos chamou à vida, e, como batizados, chamou-nos à vida cristã. Ser cristão é responder ao chamado de Deus para a vida em Cristo. Chamados a ser como Cristo, configurados a Cristo. Este é o caminho a percorrer em resposta ao chamado de Deus. São Paulo respondeu tão profundamente a este chamado a ponto de dizer: “já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”.
Estar em Cristo é caminhar juntos como parte de um único corpo, é viver a sinodalidade na Igreja. Deus nos chama a viver a sinodalidade, a viver na comunhão do corpo de Cristo, a Igreja. O sínodo reafirma que a luz de Cristo “brilha no rosto da Igreja” que recebe a responsabilidade de ser “o fermento eficaz dos vínculos, das relações e da fraternidade da família humana, testemunhando no mundo o sentido e a meta de seu caminho”... Sua vocação e seu serviço profético consistem em dar testemunho do plano de Deus de unir a si toda a humanidade na liberdade e na comunhão. A Igreja, que é "o Reino de Cristo já misteriosamente presente" (LG 3) e constitui na terra a semente e o princípio desse Reino (LG 5); caminha, portanto, junto com toda a humanidade, comprometendo-se com todas as suas forças com a dignidade humana, o bem comum, a justiça e a paz, e ‘anseia pelo Reino perfeito’, quando Deus será tudo em todos" (n. 20).
À dimensão sinodal do ser está ligada a dimensão sinodal da missão. Chamados a ser e existir na sinodalidade, somos vocacionados também para assumir e realizar a missão da Igreja. Diz o Sínodo: “A sinodalidade não é um fim em si mesma, mas visa à missão que Cristo confiou à Igreja no Espírito. Evangelizar é "a missão essencial da Igreja [...] é a graça e a vocação próprias da Igreja, sua identidade profunda" (n. 32). Somos chamados e enviados para proclamar o Evangelho a todas as nações.
A Igreja reconhece o chamado do Senhor nos vários carismas e ministérios suscitados pelo Espírito na Igreja, pois é justamente esta sinodalidade que “permite que o Povo de Deus proclame e dê testemunho do Evangelho a mulheres e homens de todos os lugares e tempos, tornando-se um ‘sacramento visível’ da fraternidade e da unidade em Cristo desejadas por Deus. A sinodalidade e a missão estão intimamente ligadas: a missão ilumina a sinodalidade e a sinodalidade leva à missão” (Idem). Não pode existir “lobo solitário” na Igreja. A missão não pode ser realizada a título pessoal, nem ser autoreferencial e concentradora de poder pessoal, mas sim junto com os outros, em comunhão e participação.
Os carismas, as vocações e ministérios então em função da missão da Igreja: “Os cristãos, pessoalmente ou em forma de associação, são chamados a fazer com que os dons que o Espírito concede produzam frutos em vista do testemunho e da proclamação do Evangelho... Na comunidade cristã, todos os batizados são enriquecidos com dons para compartilhar, cada um de acordo com sua vocação e condição de vida. As diferentes vocações eclesiais são, de fato, expressões múltiplas e articuladas do único chamado batismal à santidade e à missão. A variedade de carismas, que se origina na liberdade do Espírito Santo, tem como objetivo a unidade do Corpo eclesial de Cristo (cf. LG 32) e a missão, nos diferentes lugares e culturas (cf. LG 12)... Eles são chamados a contribuir tanto para a vida da comunidade cristã, também por meio de uma pastoral vocacional adequada, quanto para o desenvolvimento da sociedade em suas múltiplas dimensões” (n. 57).

