No dia 06 de fevereiro, no auditório do Colégio Liceu Santista, aconteceu o lançamento do texto base da Campanha da Fraternidade 2026, que traz como tema “Fraternidade e Moradia”, e o lema “Ele veio morar entre nós” (cf. Jo 1,14).
O evento contou com a presença de fiéis, autoridades e pessoas envolvidas nos projetos. A assessoria ficou com Dom Joaquim Mol, Bispo Diocesano; Pe. Valdeci dos Santos, Vigário Episcopal para a Dimensão Social; Prof. Newton Rodrigues, Cleber Ferrão, pesquisador e reitor da Unisantos, e Prof. Ricardo Granata.
Após a oração inicial feita por Dom Mol, o professor Nilton Rodrigues, da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), e um dos responsáveis por escolher e fiscalizar os programas escolhidos pela coordenação da Campanha, falou sobre os projetos que foram selecionados a partir da ação do ano passado.
“Esse trabalho vem se desenvolvendo em parceria com pessoas alinhadas para atender aqueles que precisam de apoio. Solidariedade, fé e esperança construída em equipe e cooperação”, comentou.
Segundo ele, nos últimos três anos, 19 projetos foram aprovados e continuam em funcionamento.
O Pe. Valdeci propôs um desafio para toda a Diocese, arrecadar 300 mil reais neste ano. “Acreditem na Campanha da Fraternidade. Celebrar Eucaristia é também fazer do chão da terra um altar de Deus, ou seja, façamos do nosso cotidiano um altar de doação e entrega aos mais pobres”, completou.
O padre ainda refletiu sobre a importância de quebrar a barreira do individualismo. "Apesar de aumentarmos a arrecadação a cada ano, penso que poderíamos fazer muito mais a nível diocesano. Poderíamos ser mais fraternos e ajudarmos as questões que são fundamentais para o bem-estar da pessoa humana”, enfatizou.
Ver, julgar e agir
Com os pilares do ver, julgar e agir, os palestrantes se dividiram para falar sobre cada assunto.
O Reitor da Unisantos e especialista na área de Ciências Biológicas, Cleber Ferrão dissertou um pouco sobre o ato de ver, apresentando alguns dados sobre os problemas do aumento da verticalização das cidades, da grande quantidade de moradias irregulares e ocasionais, e dos obstáculos gerados pelas mudanças climáticas.
Ele ressaltou a importância da comunicação entre as cidades metropolitanas da Baixada Santista. “Os nossos problemas são dentro desse território. Precisamos começar a resolvê-los de uma forma mais integrada com os municípios”, destacou.
Dom Mol afirmou que é preciso começar o Reino de Deus na Terra, pois o que está sendo apresentado, em questão de moradia, está em desacordo com o Reino apresentado por Jesus. “Justiça, paz, igualdade, respeito, amor, perdão e a dignidade, que é composta de trabalho, moradia, cultura, saúde, educação. E todos esses aspectos estão sob o nome: Reino de Deus”,enfatizou.
Para ele, apesar da falta de moradia ser uma questão difícil de resolver, é dever das pessoas lutarem e não deixarem de acreditar na solução. “Julgar é colocar o que vimos debaixo da iluminação de Deus e da Igreja. É questionar se a realidade de moradia está boa ou ruim segundo os critérios de Deus”, refletiu.
E para comentar sobre o agir, o também professor da Unisantos e coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo, Ricardo Granata, apresentou alguns projetos e pesquisas de alunos da Universidade para uma proposta nas soluções dos problemas .
Os trabalhos incluíram o mapeamento da população em situação de rua, identificação de áreas com maior índice de arquitetura hostil — que afasta pessoas em vulnerabilidade — e propostas de moradias em módulos sustentáveis.
Mensagem Fraterna
“A campanha lança uma semente e ela tem que germinar, mas só germina se cuidarmos dela. Temos o ano todo de trabalho porque a Campanha só termina quando começa a de 2027”, concluiu a Coordenadora da Campanha Fraternidade Diocesana, Helenice.

